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estou esperando uma visita.Entre em uma bolinha, é assim ó:
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Escrito por Vanessa Campos Rocha às 14h19
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nova casa de bolinhas. estou dentro de uma, você não vê?
www.vanessacamposrocha.blogspot.com
Escrito por Vanessa Campos Rocha às 23h17
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-Cansei.
-Descansa.
-Não adianta. Cansei das coisas.
-Que coisas?
-Ah sei lá. Cansei do guarda-chuva, sempre fechado.
-E quando chove?
-Ele chora.
-E do que mais?
-Do fogão gritando, da cadeira sempre de quatro, do chão todo esparramado.
- Não acredito. Você implica até com as coisas.
-Coisas são gente. Vistas de um lado só.
- E o que você queria?
-Que a geladeira fosse tarada, o relógio perdido e o sofá um aventureiro.
- E depois?
- Depois eles voltam a ser o que eram, porque as mudanças me assustam.
- Só?
-Só.
Escrito por Vanessa Campos Rocha às 10h21
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Slêncio: é o som que a terra faz para gerar flores.
Silêncio: é o que faz meu coração para lhe abrir amores.
Escrito por Vanessa Campos Rocha às 09h23
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Bonecas em seus balões desceram dos céus, trazendo bilhetes e entrando em casa alheias. A que entrou pela minha janela era russa, com sapatinhos de bicos cumpridos e bochechas bem vermelhas. Seus olhos piscavam de vez em quando e seus cabelinhos balançavam na direção do vento. O meu bilhete veio escrito assim: a esperança é a borboleta amarela, que seu gato está tentando comer. Então, eu distraio o manso perigo para esperança borboletear!
Escrito por Vanessa Campos Rocha às 09h05
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As paredes da casa se afastaram, o quanto podiam, para me deixar viver. O teto subiu o mais alto que pode, para que eu, ficasse bem perto do céu e do sol. As portas abriram seus braços e as janelas seus sorrisos: para mim. As almofadas floriram e os abajures acenderam, as redes balançaram e eu: tenho o mundo todo na minha casa!
Escrito por Vanessa Campos Rocha às 14h33
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Cor de amora, grilos espalhados pela janela, pequenas flores abraçadas, sou eu, sou eu. E é você. Somos todos, circulados por uma vontade, ou um não se sabe o quê, resistente e leve. Um coração. Algumas pontes que nos levam e nos trazem. Bagagem cheia de sonhos e uma breve premonição: a luz acesa. Sobreviveremos a ordem das coisas?
Escrito por Vanessa Campos Rocha às 10h16
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Já disse que sim: dá para viver um dia de cada vez, mas toda vez o tempo fica louco e eu tenho cinco anos ou então os cinqüenta que ainda não fiz. Loucura é achar isso, fala o outro mas ta sempre passando ligeiro por mim. Importante pra mim é quem eu gosto.Não importa. No final o tempo do dia é meio curto ou meio longo, e agente faz o que dá. Marieta acha que o coração é o tempo: tão lindo isso que ela diz. Queria, mas pra mim tempo é quase tudo: louça suja, estender as colchas, sentir primeiro e rejeitar depois, flutuar os desejos e depois começar tudo de novo. Como eu me repito.Hoje mesmo voltei lá pros dezesseis, que eu achava que era triste e sufocada mas nas fotos eu tinha tanto amor. Amor demais. Essas coisas não se pode desperdiçar, de novo a Marieta, que é minha amizade corridinha, mas se você olhar bem vai ver que é verde no deserto. As vezes acho ela meio burra. Não, não burra que é muito forte. Ela é concreta. Se cair de lugar alto se despedaça toda. Tanta coisa pra falar, cidade presa no peito, solidão que não se compartilha, asinhas brancas nos pés, tudo corre dentro da ampulheta. E dái? O tempo pode correr e eu: um pé depois outro pé.
Escrito por Vanessa Campos Rocha às 13h46
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Vestia a vida como se fosse uma roupa apertada. Para ser alguém. Alguém dela ou alguém de outro? Um espelho dizendo que a vida não lhe cabia. Fazia esvaziar-se de sonhos. Para ficar fina e sufocada no vestido. Até entregar o outro ao mundo. E desvestir-se. A vida ficou nua e completa. De formas variadas: vestia-se de terra ou de céu. A vida tornou-se um espelho sem reflexo. Só vida.
Escrito por Vanessa Campos Rocha às 12h16
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Vou descendo os degraus das notas musicais dele. São tão afinadas e suaves. Me aprofundo no mi, mas só paro no lá. E fico. Seus sons me renascem, sua voz é certeza. Meu horizonte se abre com o sol que ele me dá. Meu coração é musica nas cordas do seu violão.
Escrito por Vanessa Campos Rocha às 11h06
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As gotas de chuva que desciam do céu eram tão finas, que mais pareciam pensamentos que nunca chegam a molhar as idéias. Se chovesse debaixo para cima, brotariam sementes nunca imaginadas?
Escrito por Vanessa Campos Rocha às 08h45
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Até que enfim e finalmente. Ela disse com a boca cheia de emoção, que era para ficar claro que a espera foi dura. Agora a espera passou. Foi o vento, vieram as folhas novas. Já se pode cortar o cabelo e plantar girassol. Só não cresce o pé e a mão. De resto, vai tudo crescendo e sendo podado. Quanto mais os desejos. Esses não param nunca, mas metade se quebra ou é arrancado. Mas se fica raiz cresce de novo. Que beleza, não? Depois de tudo dizer finalmente. E até amanhã, que nasce já começando a querer de novo e de novo.
Escrito por Vanessa Campos Rocha às 09h14
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O Passado é um rio estancado. Fui eu mesma que coloquei essas pedras? Então, tiro. Passado é um rio deslizando até o presente, com margens cheias de margaridas brancas, fazendo a curva ali, na virada do esquecimento. Bom mesmo é esfriar os pés, nas águas limpas da saudade e entrar de alma inteira no banho da própria história.
Escrito por Vanessa Campos Rocha às 10h05
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Hoje o céu está mais para mar. Pintado com gotas de água azul. Minha vontade é de navegar o mundo todo a pé, ou então: voar pelas ondas salgadas. Quem me dera pudesse assoprar vida nos ouvidos alheios, para que a própria vida não tivesse quina. Só o leve e o profundo. Mas isso é de cada um. Eu daqui: vejo o céu e o mar em um mesmo barco, ao som vermelho de Ella Fitzgerald.
Escrito por Vanessa Campos Rocha às 09h14
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Veio vindo de longe, cansado e tímido. Parou na minha frente e apresentou-se estendendo as mãos. “Sou futuro”, disse-me ele. Me enrosquei toda em palavras, buscando esperanças e oliveiras, como me ensinaram. Mas não pude deixar de notar nele um certo cansaço, coisa que comentei livremente. “Ah, sim, estou mesmo. A conversa com passado foi cheia de dores e ajustes”, ele me esclareceu. Tinha nele um certo desejo. “De que?” pensava eu. E ele pareceu adivinhar minha intenção: “E você, qual é mesmo a sua graça”? E respondi com voz de compaixão. “ Eu? Eu sou o presente”. E não disse mais nada. Apenas me ofereci.
Escrito por Vanessa Campos Rocha às 15h36
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